ESTILO DE VIDA E MORBIDADES DE TRABALHADORES DE UMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR DE CAXIAS DO SUL – RS

  • Joana Zanotti FSG
  • Cristine Molinari Brum FSG Centro Universitário
  • Caroline Gomes de Farias FSG Centro Universitário
  • Rafaella Bedin Lovatel FSG Centro Universitário
  • Tuane Scarabonatti Cantoni FSG Centro Universitário
  • Roziane Vicenzi Fortes FSG Centro Universitário
  • Rafaela Santi Dell'Osbel UFRGS Universidade Federal do Rio Grande do Sul
  • Cleber Cremonese UFBA Universidade Federal da Bahia
  • Marina Luisa de Oliveira Gregoletto FSG Centro Universitário
  • Fernanda Pezzi FSG Centro Universitário

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: O brasileiro passa, em média, um terço do seu dia desenvolvendo atividades laborativas. De acordo com últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 47,5% das pessoas trabalham de 40 a 44 horas semanais (IBGE, 2020). O trabalho, associado a fatores como prática de atividade física, qualidade do sono, tabagismo e presença de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), pode exercer influência na percepção da qualidade de vida do indivíduo (GRANDE et al., 2013). Assim, o presente estudo objetivou descrever variáveis relacionadas ao estilo de vida e de morbidade de trabalhadores de uma Instituição de Ensino Superior (IES) de Caxias do Sul - RS. MATERIAL E MÉTODOS: Foram utilizados dados parciais de um estudo observacional transversal, composto por funcionários de uma IES, de ambos os sexos, com idade ≥18 anos. Para a coleta de dados foi realizado um questionário online, no qual investigou-se as seguintes variáveis sociodemográficas: sexo, idade, cor da pele autodeclarada, estado civil, escolaridade e renda. Também, questionou-se a função exercida na IES. O estilo de vida foi avaliado através das seguintes variáveis: horas de sono, verificada por meio do Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh, categorizada em: <8 horas/dia e ≥8 horas/dia (BUYSSE, 1989); histórico de saúde autorreferido, incluindo hábito de fumar (sim, não, ex-fumante) e presença de DCNT (hipertensão arterial sistêmica, dislipidemias, diabetes mellitus tipo I e tipo II e neoplasias); autopercepção da saúde por meio da questão: “Quão satisfeito(a) você está com a sua saúde?”, com as opções de resposta: muito satisfeito, satisfeito, nem satisfeito nem insatisfeito, insatisfeito e muito insatisfeito; e sintomas depressivos (SD) identificados por meio do Patient Health Questionnaire (PHQ-9), resultando em um sistema de pontuação (SANTOS et al., 2013), sendo categorizados em: ausência de SD (≤4), SD leves (5-9), SD moderados (10-14), SD moderadamente severos (15-19) e SD severos (≥20) (KROENKE, SPITZER e WILLIAMS, 2001). As variáveis foram apresentadas por frequências absolutas e relativas. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa sob parecer nº 4.115.023. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Foram incluídos 147 participantes, sendo mais prevalentes participantes do sexo feminino (70,7%), com idade ≥37 anos (50,7%), cor de pele branca (89,8%) e solteiros ou divorciados (50,3%). Em relação à função exercida na IES, escolaridade e renda, 63,0% eram docentes, 35,4% possuíam título de mestre e 36,3% recebiam de 3 a 5 salários mínimos (SM), respectivamente. Quanto ao estilo de vida, verificou-se que menos da metade dos participantes dormem ≥ 8 horas/dia (48,6%). Sabe-se que a qualidade do sono influência em diversos mecanismos fisiológicos, o que a torna fator essencial para padrões de vida saudáveis (BENVEGNÚ et al., 2016).  Sobre as DCNT investigadas, 12,2% eram hipertensos, 21,8% possuíam hipercolesterolemia, 15,0% hipertrigliceridemia, 8,9% eram diabéticos, sendo 4,1% tipo I e 4,8% tipo II e 5,4% declararam possuir histórico de neoplasias. As DNCT constituem o grupo de doenças de maior magnitude no país e no mundo, sendo as responsáveis por altas taxas de mortalidade (MS, 2011; WHO, 2020a). Dentre os fatores de risco modificáveis para o desenvolvimento de DCNT, encontra-se o tabagismo (WHO, 2020a), o qual apresentou baixa prevalência no presente estudo (4,1%).  Quando questionados em relação à autopercepção da saúde, 12,9% dos participantes declararam respostas negativas, sendo 7,5% insatisfeitos e 5,4% muito insatisfeitos. Entretanto, a maior parte da amostra estava satisfeita (54,4%). Outro estudo realizado no sul do país, no qual a prevalência de autopercepção regular ou ruim de saúde foi de 22,3% nos adultos avaliados, constatou que a população percebe a saúde não apenas como ausência de doença, mas também como um conjunto de aspectos sociais, demográficos e até comportamentais (REICHERT, LOCH e CAPILHEIRA, 2012). Sintomas depressivos estiveram presentes em 64,7% dos participantes, sendo 27,8% como sintomas leves, 18,8% moderados, 13,2% moderadamente severos e 4,9% severos. Sabe-se que diversos fatores influenciam na saúde mental dos trabalhadores e que o bem-estar mental dos trabalhadores tem efeitos positivos nos resultados de seu ofício, bem como na saúde, realização profissional e qualidade de vida (WHO, 2020b). CONCLUSÃO: A busca por desfechos de altas prevalências de morbidades é considerada tendência no campo da saúde. No presente estudo, dentre as prevalências encontradas, destaca-se a presença de sintomas depressivos na maior parte da amostra. Tal achado, possui grande relevância e necessita de maior atenção, pois negligências em relação a fatores como este, poderão repercutir na qualidade do trabalho destes indivíduos, bem como em suas vidas pessoais.

Biografia do Autor

Joana Zanotti, FSG

Nutricionista. Especialista em Clínica e Terapêutica Nutricional. Mestra em Ciências Médicas

Publicado
2021-03-18
Seção
Saúde e Ciências Agroveterinárias - Resumo Expandido