RECOMENDAÇÕES NUTRICIONAIS PARA PACIENTE COM DIAGNÓSTICO DE COVID-19

REVISÃO DAS ATUAIS DIRETRIZES

  • Joana Zanotti FSG
  • Amanda Rosanelli FSG Centro Universitário
  • Natalia Petry Herzer FSG Centro Universitário
  • Rosane Dal Zotto FSG Centro Universitário

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: A COVID-19, é uma doença causada pela transmissão do corona vírus, também denominado Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavírus (SARS-CoV-2) (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2020). O surgimento desta pandemia revela inúmeros desafios e ameaças em todo o mundo, tanto para a população em geral, como para os sistemas de saúde, pois cerca de 6 a 10% dos indivíduos acometidos pela doença necessitam de atendimento hospitalar, tornando o suporte nutricional essencial, capaz de reduzir as complicações do quadro (BARAZZONI R., et al., 2020). Sendo assim, o objetivo geral do presente estudo é revisar as diretrizes atuais sobre recomendações nutricionais para tratamento de pacientes diagnosticados com SARS-CoV-2. MATERIAL E MÉTODOS: Trata-se de um estudo de revisão dos posicionamentos oficiais de sociedades nacionais e internacionais de Nutrição, publicados no ano de 2020, referentes ao tratamento nutricional do paciente com diagnóstico de SARS-CoV-2. RESULTADOS E DISCUSSÕES: A alimentação por via oral deve ser a principal em doentes com COVID-19 menos graves, incluindo a utilização de suplementos nutricionais orais, quando a ingestão energética estimada for menor que 60% das necessidades nutricionais. Já nos doentes críticos com COVID-19, a Nutrição Entérica (NE) é a via preferencial sendo importante que inicie nas primeiras 24 a 48 horas de internação (CAMPOS, et al., 2020). Deve-se considerar o uso de Nutrição Parenteral (NP) complementar após 5 a 7 dias, nos doentes que não conseguirem atingir mais de 60% das necessidades energético proteicas por via entérica (THIBAULT et al., 2020). Além disso, se a utilização da via oral ou entérica estiver contraindicada, a NP deve ser iniciada o mais precocemente possível. Ainda não existem recomendações nutricionais específicas para doentes com COVID-19, por isso devem ser seguidas as recomendações já existentes, ou seja, energia:  25-30 kcal/kg/dia e proteína: 1,3-1,5g/kg/dia (FREITAS, 2020). O fornecimento de doses diárias de vitaminas e minerais devem ser garantidos a pacientes que possuem risco de deficiência destes nutrientes, visando potencializar a defesa nutricional. Há evidências de que a suplementação de vitamina A reduz morbidade e mortalidade em infecções como HIV, malária, pneumonia associada a sarampo e diarreia. Essa hipótese foi considerada em recente revisão que propõe que a vitamina A deve ser utilizada em pacientes portadores de COVID-19 (ABRAN, 2020).  Com relação à vitamina C, uma recente revisão sugere que pode ser uma das escolhas para o tratamento de suporte, embora sejam necessários estudos longos e sistemáticos. Para indivíduos sob risco de infecções virais respiratórias, a utilização de doses elevadas de vitamina C (até 2g/dia) por via oral pode ser indicada (ABRAN, 2020). Durante infecções virais, grande quantidade de radicais livres são produzidas, o que sobrecarrega o sistema de defesa e induz o desequilíbrio e estresse oxidativo, ficando ampla a replicação viral e desequilibrando a resposta imunológica, por isso, o selênio ocupa papel importante na defesa antioxidante e no grau de patogenicidade do vírus (ABRAN, 2020). Além disso, alguns pacientes portadores de infecção por COVID-19 apresentam problemas gastrintestinais devido à contaminação viral direta da mucosa intestinal ou consequente às alterações do tratamento específico como medicamentos antivirais ou antibacterianos, para o tratamento de infecções secundárias,  nestes casos, pode ser indicado o uso de probióticos para tratamento da diarreia (ABRAN, 2020). É relevante observar a letalidade maior em pessoas acima de 60 anos, pois nesses indivíduos se observa maior prevalência de hipovitaminose D e menor exposição solar, devido ao isolamento social com consequente comprometimento da resposta imune, assim, deve ser fornecida reposição por via oral de 50.000UI/semana, se níveis séricos <20 ng/mL e de 25.000UI/semana, se ≥20 a <30 ng/mL (ABRAN, 2020). CONCLUSÃO: No cenário atual, existem apenas evidências de recomendações nutricionais diárias baseadas em outras doenças, no entanto, foi possível visualizar que as vitaminas e minerais possuem papel fundamental quando se trata da sua ação no sistema imunológico, no entanto, ainda são necessários mais pesquisas que possam responder às questões de prevenção e tratamento a fim de auxiliar os profissionais da saúde em sua prática clínica, para paciente com diagnóstico de COVID-19. Desta forma, fazem-se necessários novos estudos clínicos que avaliem os níveis séricos de vitaminas e minerais em pacientes com COVID-19 para descobrir a interação entre esses micronutrientes e os genes de pessoas que tiveram a doença.

Biografia do Autor

Joana Zanotti, FSG

Nutricionista. Especialista em Clínica e Terapêutica Nutricional. Mestra em Ciências Médicas

Publicado
2021-03-18
Seção
Saúde e Ciências Agroveterinárias - Resumo Expandido