PROPOSTA DE UM PROTOCOLO OPERACIONAL PARA PADRONIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA FISIOTERAPÊUTICA AO PACIENTE SUBMETIDO À FIXAÇÃO ESQUELÉTICA EXTERNA A NÍVEL HOSPITALAR

  • Vanessa Couzem
  • Bruna Eibel
  • Caroline Bernardes FSG

Resumo

INTRODUÇÃO: A fixação é um recurso indispensável e insubstituível em lesões traumatológicas do sistema locomotor, provocadas por acidentes que envolvem alta quantidade de energia. No tratamento dessas lesões as fraturas devem ser reduzidas e estabilizadas, mesmo que de forma provisória. A colocação dos fixadores é uma técnica de fácil aplicação, minimamente invasiva e com reduzida agressão às partes moles, que auxilia no controle da dor, diminui o sangramento e preserva a vascularização. Consiste em fios ou pinos, geralmente de aço e que atravessam a barreira cutânea, mantendo contato com a estrutura óssea permitindo maior rigidez ou a estabilidade da estrutura óssea (TALJANOVIC ET AL, 2003; AYRES ET AL, 2015). Em relação aos planos frontal e sagital, definem os fixadores como uniplanares e biplanares. Há comprovação que a fixação biplanar é mais estável que o uniplanar, no entanto, foi confirmado que a fixação uniplanar cria condições biomecânicas mais favoráveis ​​no local das fraturas ósseas. Quanto aos fixadores externos circulares, estes apresentam os melhores resultados em relação à estabilidade e versatilidade de utilização, onde eventualmente outros sistemas não podem ser utilizados com sucesso. (GRUBOR ET AL., 2011; MACIEL, 2018). Contudo, faz-se perceptível que a utilização de fixadores externos possuem suas particularidades e nos remete ao tratamento pós-cirúrgico desses pacientes, elencando a importância da atuação do profissional fisioterapeuta no pós-operatório imediato. OBJETIVO: Propor um protocolo operacional padrão do tratamento fisioterapêutico, contemplando os principais cuidados e orientações fisioterapêuticas aos pacientes submetidos à colocação de fixadores externos e suas particularidades quanto à fixação circular e a fixação uniplanar e/ou biplanar. MÉTODOS: A pesquisa deste estudo foi conduzida no mês de maio de 2020. A elaboração do presente resumo contou com revisão e pesquisa de artigos científicos que foram realizadas na língua inglesa e portuguesa, mediante consulta nas bases de dados eletrônicos do PubMed, MedLine, Scielo e Google Scholar. RESULTADOS E DISCUSSÕES: O primeiro contato do fisioterapeuta com o paciente submetido à fixação externa deve contar com procedimentos essenciais na avaliação, como a anamnese, exame físico, com inspeção e palpação do membro operado, análise dos exames complementares, técnica cirúrgica utilizada, e ainda, o resultado da cirurgia. Sendo de suma importância iniciar o atendimento ainda no ambiente hospitalar e o mesmo deverá saber orientar todos os cuidados que o paciente deverá ter com o fixador externo. O fisioterapeuta deverá se apropriar de condutas para o manejo da dor, reduzir edema, manter e restaurar a amplitude de movimento, aumentar a força muscular, melhorar a segurança e eficiência da deambulação, fornecendo assim, maior independência funcional ao paciente diminuindo o tempo de internação e os gastos hospitalares. Ao mesmo tempo, o profissional deverá conhecer os limites impostos e as diferenças de cada fixador externo, sendo ele circular ou uniplanar/biplanar. CONCLUSÃO: Pode-se compreender que o objetivo primordial da fixação externa é estabilizar o osso fraturado para permitir a cura rápida, retorno e mobilidade precoce da extremidade lesada. O fisioterapeuta neste âmbito, ganha importante função e a padronização dos atendimentos desses pacientes através de protocolos no ambiente intra-hospitalar garante a qualidade, segurança e conforto durante o atendimento e ao mesmo tempo minimizando a ocorrência de eventos adversos, como por exemplo, a descarga de peso e/ou mobilização indevida do membro operado, garantindo resultados promissores ao paciente submetido à fixação externa.

  REFERÊNCIAS

AZEVEDO, Marcos Coelho de et al . Tratamento de fraturas e complicações pós-traumáticas do úmero com fixadores externos osteoline®: uma opção de tratamento. Rev. bras. ortop.,  São Paulo ,  v. 46, n. 4, p. 390-397,    2011.

AYRES Fernandes Rodrigues1 , Eduardo Angoti Magri1 , Juliano Valenti Lestingi1 , Lourenço Galizia Heitzmann1 , Paloma Yan Lam Wun2 , Rodrigo Ribeiro Lago. Uso do fixador externo circular desmontável para o tratamento de fraturas do platô tibial . Técnicas em Ortopedia. 2015; 15 (1):12-6.

GRUBOR, Predrag & Grubor, Milan & Asotić, Mithat. (2011). Comparison of Stability of Different Types of External Fixation. Medicinski arhiv. 65. 157-9. 10.5455/medarh.2011.65.157-159.

MACIEL, Mariana da Fonte. Intervenção fisioterapêutica em paciente com lesão traumática de membro inferior submetido a fixador externo do tipo Ilizarov. Fisioterapia Brasil, [S.l.], v. 8, n. 5, p. 373-378, jan. 2018. ISSN 2526-9747

TALJANOVIC, M. S., Jones, M. D., Ruth, J. T., Benjamin, J. B., Sheppard, J. E., & Hunter, T. B. (2003). Fracture fixation. Radiographics : a review publication of the Radiological Society of North America, Inc, 23(6), 1569–1590.

 

Publicado
2021-03-18
Seção
Saúde e Ciências Agroveterinárias - Resumo Expandido