DESENVOLVIMENTO DE UM ANDADOR ADAPTADO PARA CRIANÇAS COM DÉFICIT MOTOR

  • Renata D`Agostini Nicolini-Panisson Centro Universitário da Serra Gaúcha/ Professora Doutora Coordenadora do Grupo de Pesquisa em Reabilitação
  • Huender José Cardoso de Miranda
  • Marina Spadari Lusa
  • Taís Zampieri
  • Daiane Giacomet

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA:De acordo com a Internacional Classification of impairments, disabilities, and handicaps: a manual of classification relating to the consequences of disease(ICIDH) deficiência pode ser uma perda ou uma anormalidade de estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica, temporária ou permanente, sendo incluídas as anomalias, defeitos ou perda de um membro, órgão, tecido ou qualquer estrutura do corpo inclusive das funções mentais. Representa a exteriorização de um estado patológico, um distúrbio orgânico, uma perturbação no órgão. Incapacidade é a restrição da habilidade para desempenhar uma atividade considerada normal para o ser humano na qual é resultante de uma deficiência e surge de uma resposta do indivíduo a uma deficiência psicológica, física, sensorial ou outra. Representa a objetivação da deficiência e reflete os distúrbios da própria pessoa, nas atividades e comportamentos essenciais a vida diária. Desvantagem é o prejuízo para o indivíduo que limita ou impede o desempenho de papéis de acordo com a idade, sexo, fatores sociais e culturais sendo resultante de uma deficiência ou uma incapacidade. É uma discordância entre a capacidade individual de realização e as expectativas do indivíduo ou do seu grupo social. Além disso, representa a socialização da deficiência e relacionam-se as dificuldades nas habilidades de sobrevivência (AMIRALIAN et al., 2000; BIM et al., 2007 e  VALADÃO et al., 2014) Existem alguns fatores na qual podem provocar a diminuição da mobilidade como as doenças genéticas, congênitas, doenças parasitárias como vírus e bactérias e o envelhecimento da população (CHAGAS, 2011). Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do censo de 2010, há 23,9% da população brasileira com algum tipo de deficiência, ou seja, 45.606.048 milhões de brasileiros. O uso de dispositivos auxiliares de marcha (DAM), como os andadores, bastões, muletas tem sido utilizado por pessoas que tem um déficit na mobilidade articular dos membros inferiores. O uso deste artefato é utilizado para a reabilitação e reforço da musculatura enfraquecida a fim de manter o tônus muscular e a capacidade do movimento. Além disso, estes dispositivos tem a finalidade na prevenção de quedas melhorando a independência funcional, a mobilidade, o equilíbrio e a base de suporte reduzindo os efeitos de diversas deficiências. Normalmente, eles são ajustáveis e recomenda-se que estes estejam adequados com a altura apropriada para cada indivíduo (OLIVEIRA, 2012). Há cinco tipos de andadores como o articulado, fixo, com rodas dianteiras, de quatro rodas e de três rodas, porém iremos falar somente sobre o andador de quatro rodas na qual foi construído neste trabalho. Ele é caracterizado por apresentar quatro pernas com rodas e suporte giratório, sendo utilizado em pessoas com déficit cognitivo e problemas de ombro e/ou incapazes de erguer o próprio andador. Apresenta uma velocidade de marcha mais funcional e rápida. É indicado, também, para quem tem fraqueza em ambos os membros inferiores ou coordenação insuficiente e auxilia para que a pessoa olhe para frente, mantenha um bom alinhamento postural e para não pisar em excesso na parte anterior do dispositivo para não reduzir a base de sustentação evitando o risco de queda. Sua desvantagem está no uso deste equipamento em escadas, pois há uma redução do balanço dos membros superiores, maior chance de perder o controle e é menos estável. Orienta-se que ele seja transferido e posicionado simultaneamente evitando o balanço do apoio ou deslizamento anterior do andador (GLISOI et al., 2012). OBJETIVO: Desenvolver um andador adaptado para crianças com déficit motor.  CONCLUSÃO: Tendo em vistaque este dispositivo é de suma importância para ajudar indivíduos com algum tipo de déficit na marcha, foi possível criar um equipamento de auxílio na marcha e com matérias de menor custo que podem ajudar pacientes que não possuem condições financeiras de adquirir um próprio. Este não substitui o modelo convencional, mas pode ser utilizado como uma alternativa provisória como no caso do uso em domicílio. Este artefato tem sido utilizado muito no tratamento fisioterapêutico de forma que possa beneficiar através de estímulos no sistema nervoso central, auxiliar as crianças com déficit motor e podem ajudar no tratamento domiciliar a fim de fazer a manutenção enquanto a criança não esteja sob cuidados dos profissionais, evitando uma possível regressão no tratamento.

 

REFERÊNCIAS 

AMIRALIAN M. L. T, et al. Conceituando deficiência. Rev. Saúde Pública, 34 (1): 97-103www.fsp.usp.br/rsp, 2000.

BIM C. R., BENATO B. S. e VICENTIM T. K. Perfil dos deficientes atendidos pelo programa de saúde da família, do município de Guarapuava – Paraná. Cienc Cuid Saude; 6(Suplem. 2):390-396, 2007.

CHAGAS, P. S. C. et al. Crenças sobre o uso do andador infantil. Rev. bras. fisioter.,  São Carlos ,  v. 15, n. 4, p. 303-309,  Aug.  2011. 

GLISOI S. F. N., et al. Dispositivos auxiliares de marcha: orientação quanto ao uso, adequação e prevenção de quedas em idosos. Geriatr Gerontol Aging.6(3):261-272, 2012.

MÉLO T. R., FREITAS J. e SCHMIDT H. M. Endireite estas costas menino: verdades e mitos sobre o desenvolvimento postural na infância. Luize Bueno de Araujo & Vera Lúcia Israel (Ed.), 2017.

OLIVEIRA L. M. B. Cartilha do Censo 2010– Pessoas com Deficiência / Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) / Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNPD) / Coordenação-Geral do Sistema de Informações sobre a Pessoa com Deficiência; Brasília: SDH-PR/SNPD, 32 p., 2012. Diponível em: <http://www.portalinclusivo.ce.gov.br/phocadownload/cartilhasdeficiente/cartilha-censo-2010-pessoas-com-deficiencia.pdf>. Acesso em: 12 de agosto de 2017.

VALADÃO C. T., et al.Adaptação de andador convencional para reabilitação e assistência a pessoas com restrições motoras. XXIV Congresso Brasileiro de Engenharia Biomédica – CBEB, 2014.

 

Publicado
2019-06-14
Seção
Saúde Pública: estratégias de saúde familiar, promoção de saúde pública, epidemiologia, vigilância sanitária e ambiental