A EXPOSIÇÃO À POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA E A RELAÇÃO COM A DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA

UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: O ar que respiramos é imprescindível para a manutenção da vida e controle da saúde individual e coletiva. Porém, com o advento da industrialização, os níveis de partículas tóxicas no ar cresceram muito, quando relacionado a tempos anteriores devido à queima de combustíveis fósseis (BRAGA et al., 2001). Com isso, observou-se um crescimento nos números de disfunções respiratórias em populações com exposições altas à ozônio (O3), material particulado (MP), óxidos de nitrogênio (NO2), Dióxido de Enxofre (SO2) e Monóxido de Carbono (CO) (RUSSO, 2010. BRAGA et al., 2001. DAPPER et al., 2016), principalmente aquelas com doenças pulmonares pré-existentes, como a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) (SCHIKOWISKI et al., 2014). Em função disso, nos últimos anos, essa situação tem sido motivo de muitas preocupações e pesquisas. Para isso, esta revisão tem por finalidade a caracterização da relação do aparecimento ou intensificação da DPOC em locais com alto acúmulo de poluentes, além de evidenciar as pesquisas e resultados encontrados recentemente sobre o tema. MATERIAL E MÉTODOS: Este estudo consiste em uma revisão de literatura, realizada por um levantamento bibliográfico de bases de dados internacionais e nacionais do intervalo de 2016 à 2018 sobre a atual situação das pesquisas relacionadas aos efeitos deletérios da poluição atmosférica em pessoas com DPOC. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Relaciona-se os poluentes com uma série de alterações fisiológicas, como a redução de função pulmonar, volumes e capacidades pulmonares, e em casos mais frequentes de agudizações e exacerbações da DPOC em várias partes do mundo. Nisso, tem-se desde o número elevado de tráfego de veículos nas grandes cidades até a exposição ocupacional como fatores predizentes à complicações respiratórias (NITSCHKE et al., 2016). Em pacientes com DPOC, evidencia-se uma perda de função pulmonar muito mais acelerada e elevada quando comparado com pessoas saudáveis, devido à fragilidade do sistema respiratório, à hiperinsuflação gasosa e acúmulo de partículas presentes no ar (MANIGRASSO, 2017). Também, observou-se aumento nos casos de exacerbações e hospitalizações de pessoas que moravam em locais próximos das grandes concentrações de pessoas e veículos, além de efeitos cumulativos de pessoas que sempre moraram em locais assim (TAGIYEVA et al., 2017). Além disso, atualmente, estuda-se biomarcadores circulantes que podem predizer uma exposição anormal aos poluentes atmosféricos mais comuns, como o MP e o NO2 (KRASUKOPF et al., 2017). CONCLUSÃO: Constata-se que há uma intensa relação entre as altas concentrações de poluentes e o aparecimento/consolidação da DPOC, bem como na exacerbação desta, encontrando os poluentes, em quase toda sua essência, como importante agente acumulativo das vias aéreas e redutor da função pulmonar dos doentes com DPOC.

Biografia do Autor

Sandra Magali Heberle, CENTRO UNIVERSITÁRIO DA SERRA GAÚCHAUNIVERSIDADE FERNANDO PESSOAFACULDADE INEDI - CESUCA

Fisioterapeuta, mestre em ciências da saúde (pneumologia), especialista em fisioterapia respiratória e terapia intensiva pela ASSOBRAFIR. Professora da Faculdade de Fisioterapia da FSG, docente nas disciplinas de Cardiopneumofuncional no adulto e no idoso, Supervisão de estágio hospitalar. Coordenadora do curso de Fisioterapia da CESUCA.

Publicado
2019-06-14
Seção
Saúde Pública: estratégias de saúde familiar, promoção de saúde pública, epidemiologia, vigilância sanitária e ambiental