QUALIDADE DE VIDA DE IDOSAS INSTITUCIONALIZADAS DE CAXIAS DO SUL-RS.

  • Caroline Scotti FSG Centro Universitário
  • Roslaine Ampessan
  • Letícia Gazzana
  • Joana Zanotti FSG

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: O envelhecimento é inevitável e afeta todos os indivíduos, alterando os padrões fisiológicos em uma relação mútua de fatores sociais, culturais, biológicos e psicológicos. O conceito de envelhecer pode ser entendido como algo subjetivo e de transformações biopsicossociais que modificam aspectos comuns em indivíduos saudáveis, levando-os a novas percepções de enfrentamento da vida (MENDES, 2018). Observando a atual estrutura familiar moderna e as exigências que a sociedade aplica, o idoso terá que ceder à institucionalização, onde recebe atenção e cuidados necessários, porém sofre impactos com a mudança (CARVALHO, 2011). Na maioria das famílias que têm idosos, esta se tornou a única opção viável devido à falta de disponibilidade do suporte familiar, financeiro e psicológico que o idoso necessita, neste caso, a adaptação do idoso à instituição é primordial podendo impactar diretamente na qualidade de vida (CARVALHO, 2011). Deste modo, a qualidade de vida do idoso é um fator importante e constitui para os profissionais de saúde um enorme desafio, como medir a qualidade de vida não apenas para traçar um retrato da velhice, mas para avaliar o impacto das condutas, políticas e tratamentos, planejar ações e serviços, corrigir rumos e elaborar recursos voltados para a população que envelhece (PASCHOAL, 2005). Portanto, o presente estudo tem como objetivo avaliar a qualidade de vida de idosas institucionalizadas. MÉTODOS: O presente trabalho trata-se de um estudo epidemiológico observacional do tipo transversal, o qual buscou avaliar a qualidade de vida de 211 idosas institucionalizadas, com idade igual ou superior a 60 anos, residentes de 36 instituições de longa permanência, abrangendo instituições públicas e privadas, na cidade de Caxias do Sul-RS. Para a análise da qualidade de vida (QV) foi utilizado o questionário Short Form Health Survey-36 (SF-36). O SF-36 é um questionário composto por 11 questões e 36 itens que abrangem 8 componentes, representados por capacidade funcional (dez itens), limitações por aspectos físicos (quatro itens), dor (dois itens), estado geral da saúde (cinco itens), vitalidade (quatro itens), aspectos sociais (dois itens), limitação por aspectos emocionais (três itens), saúde mental (cinco itens) e uma questão comparativa sobre a percepção atual da saúde e há um ano. O indivíduo recebe um escore em cada um dos componentes do questionário que varia de 0 a 100, resultando em uma condição geral de saúde melhor (mais próximo aos 100) ou pior (mais próximo ao 0) (WARE, 2003). O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário da Serra Gaúcha, de acordo com o parecer de aprovação número 1.628.941.  RESULTADOS E DISCUSSÕES: Foram avaliadas 211 idosas, sendo a média de idade 79,94 anos. Em relação à qualidade de vida, seguem as médias das variáveis: capacidade funcional (média 37,81), dor (média 66,68), aspectos sociais (média 55,12), saúde mental (média 60,37), limitações por aspectos físicos (média 20,73), vitalidade (média 57,08), limitações por aspectos emocionais (média 25,12) e quanto ao estado geral de saúde (média 46,80). O aumento da longevidade trouxe uma série de complicações para a população idosa, com base neste estudo, observadas principalmente pela redução da capacidade funcional, limitações associadas aos aspectos físicos e por aspectos emocionais. Em estudo realizado por Freitas e Scheicher (2010) incluindo três Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) encontrou resultados significativos na variável Aspecto Físico em duas das instituições avaliadas, com escore abaixo de 30, o que corrobora com os resultados encontrados no presente estudo e reforça o impacto desta condição na redução da qualidade de vida dos idosos. Outro estudo realizado por Farzianpour et al (2016), demonstrou que as mulheres idosas referem mais limitações por aspectos físicos que os homens idosos, no presente estudo essa variável demonstra relação com a redução da capacidade funcional, uma consequência do envelhecimento celular que reduz a autonomia do individuo, tornando-o dependente para a realização de certas atividades. Considerando que estas idosas possuíam vida ativa e a dependência associada ao afastamento da família pode justificar os resultados significativos encontrados nas limitações por aspectos emocionais. CONCLUSÃO: No que se refere à qualidade de vida de idosas institucionalizadas, os resultados encontrados demonstram a necessidade de estratégias de saúde voltadas principalmente a melhoria da capacidade funcional e das habilidades físicas destas. Considerando as mudanças na rotina causadas pela institucionalização, associadas a redução da independência e da capacidade física causadas pelo envelhecimento, ações de socialização e de apoio psicológico também podem trazer resultados benéficos para uma melhor qualidade de vida.

Biografia do Autor

Joana Zanotti, FSG
Nutricionista. Especialista em Clínica e Terapêutica Nutricional. Mestra em Ciências Médicas
Publicado
2019-06-14
Seção
Saúde Pública: estratégias de saúde familiar, promoção de saúde pública, epidemiologia, vigilância sanitária e ambiental