QUALIDADE DE VIDA EM PACIENTES COM DOENÇA RENAL CRÔNICA EM HEMODIÁLISE EM CAXIAS DO SUL-RS.

  • Daniela Suelen de Souza FSG Centro Universitário
  • Ingrid da Silva FSG Centro Universitário
  • Luis Spuza FSG Centro Universitário
  • Joana Zanotti FSG

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: Sabe-se que a Doença Renal Crônica (DRC) representa um grave contratempo no que se diz respeito a saúde da população, sendo uma doença de origem multifatorial associada a hipertensão arterial, diabetes, glomerulonefrites e problemas renais obstrutivos (BASTOS; BREGMAN; KIRSZTAJN, 2010). Corrêa (2011) afirma que a progressão da DRC ocorre de maneira lenta e é determinada por uma desordem endógena que impossibilita os rins de exercerem a sua função, decorrente de insuficiência renal aguda ou redução da função renal como consequência de alguma patologia, sendo esse processo irreversível e incurável. Desta forma, torna-se necessário o tratamento de substituição renal, a fim evitar o acúmulo de substâncias tóxicas no organismo e consequentemente a morte (RIBEIRO et al., 2008). A DRC desencadeia inúmeros sofrimentos sobre os pacientes, tais como: anemia, fraqueza muscular, angústia, alterações respiratórias e metabólicas, perda progressiva do condicionamento físico e consequentemente má qualidade de vida (LARA et al., 2013; ROCHA et al., 2010). A submissão ao tratamento de hemodiálise impõe quem convive com a doença a dolorosos tratamentos de duração prolongada, o qual gera algumas limitações e complicações como desnutrição, distúrbios hormonais, ações decorrentes do próprio processo de diálise, distúrbios gastrointestinais e alterações psicológicas que acabam interferindo tanto na qualidade de vida do portador quanto na família (BIRMELÉ et al., 2012). De forma geral, o tratamento hemodialítico vêm acompanhado de depressão, ansiedade, sensação de abandono, falta de esperança e baixa autoestima em pessoas que estão fazendo o uso da terapia ou aguardando um transplante na fila de espera. Além da doença, o próprio tratamento interfere na qualidade de vida, por ocasionar redução do rendimento físico e da capacidade funcional (RAVAGNANI et al., 2007). Assim, o presente estudo objetiva descrever a qualidade de vida de indivíduos com insuficiência renal crónica submetidos ao tratamento de hemodiálise. MÉTODOS: Trata-se de um estudo epidemiológico observacional de delineamento transversal, composto por adultos e idosos com DRC em tratamento de hemodiálise em um ambulatório da cidade de Caxias do Sul-RS. A amostra foi obtida por conveniência, totalizando 95 pacientes. O presente estudo está vinculado ao projeto intitulado “Perfil nutricional de doentes renais crônicos em tratamento de hemodiálise em um hospital da cidade de Caxias do Sul-RS”. O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário da Serra Gaúcha e do Hospital Pompéia, de acordo com os pareceres de aprovação número 2.533.095 e 2.726.101. Todos os indivíduos que aceitaram participar da pesquisa, assinaram o Termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE). Foram incluídos na pesquisa, homens e mulheres com idade acima de 18 anos, com diagnóstico de DRC submetidos ao tratamento de hemodiálise. Para avaliar a qualidade de vida foi aplicado o questionário padronizado Short Form Health Survey 36 (SF-36), constituído por 11 questões de 36 itens, dispostos entre 8 subitens: Capacidade funcional, limitação por aspectos físicos, dor, estado geral de saúde, vitalidade, aspectos sociais, aspectos emocionais e saúde mental. A pontuação para cada item varia de 0 a 100, quanto maior a pontuação, melhor a saúde do indivíduo (WARE, 2003). RESULTADOS E DISCUSSÕES: Participaram da pesquisa 95 pacientes, destes, observou-se que a média de pontuação da amostra em relação ao funcionamento físico foi de 62,4, limitações de papel devido à saúde física foi de 52,6, limitações de papel devido a problemas emocionais 64,2, energia/fadiga 54, bem estra emocional 66,6, funcionamento social 77,7, dor 67,3, saúde geral 52,5, mudanças de saúde 47. Observa-se que em relação as médias obtidas através das pontuações do questionário aplicado nos entrevistados, os menores valores correspondem as mudanças de saúde, saúde geral e energia, visto que o paciente renal sofre diversas alterações relacionadas ao seu estado geral que implicam diretamente na saúde (Sesso, 2003). As limitações devido a saúde física também estão relacionadas à qualidade de vida desses pacientes, levando principalmente a perda de peso e de massa muscular, e outras alterações nutricionais. Podemos citar também os problemas emocionais e o funcionamento social como fatores significativos nestes pacientes, pois ocorre um processo de mudanças em suas vidas, tempo de hemodiálise, alterações alimentares, limitações físicas entre outros (ROMAO, 2001)  CONCLUSÃO: Conclui-se que pacientes renais em processo de hemodiálise necessitam de maior atenção, destacando a importância da avaliação da qualidade de vida relacionada com a saúde, como um indicador de excelência dos cuidados de saúde.

Biografia do Autor

Joana Zanotti, FSG

Nutricionista. Especialista em Clínica e Terapêutica Nutricional. Mestra em Ciências Médicas

Publicado
2019-06-14
Seção
Saúde Pública: estratégias de saúde familiar, promoção de saúde pública, epidemiologia, vigilância sanitária e ambiental