QUALIDADE DE VIDA EM PACIENTES ONCOLÓGICOS EM TRATAMENTO QUIMIOTERÁPICO EM UM AMBULATÓRIO DE CAXIAS DO SUL - RS

  • Gabriela Alice Soldatelli FSG Centro Universitário
  • Pedro Henrique Bacchi FSG Centro Universitário
  • Joana Zanotti FSG

Resumo

INTRODUÇÃO/ FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: O câncer é caracterizado pelo crescimento rápido e anormal de células do corpo humano, que podem acometer vários órgãos ou tecidos, e espalhar-se pelo corpo. Suas causas vão desde fatores genéticos até a relação com o ambiente e hábitos de vida. Hoje o câncer é um dos maiores problemas de saúde pública, e afeta desde países desenvolvidos como os em desenvolvimento (DE CASTRO FILHA et al., 2016). O paciente diagnosticado com câncer passa por diversas situações estressoras durante o tratamento de sua doença, bem como seus familiares, sendo o descobrimento da doença um fator impactante na qualidade da sua vida (WITTMANN-VIEIRA; GOLDIM, 2012). O tratamento do câncer consiste em três principais modalidades após seu diagnóstico correto, sendo elas, a quimioterapia, radioterapia e cirurgias (POLO; MORAES, 2009). Além disso, aspectos sociais, psicológicos e espirituais são fundamentais para a qualidade de vida do paciente, bem como a prevenção e alivio do sofrimento e da dor (SILVA et al., 2010).  Desta forma, o controle da qualidade de vida do paciente no tratamento do câncer, torna-se fundamental. Para avaliar o nível de autonomia e qualidade de vida do paciente oncológico, foi desenvolvido um instrumento de escala chamado escala de desempenho ECOG (Estern Cooperative Oncology Group), onde o mesmo busca avaliar através de um escores de 0 a 5 a qualidade de vida em que o paciente se encontra. Os pacientes ativos apresentam maior resposta ao tratamento e tem maiores chances de sobrevida que os menos ativos ou com sintomas agravados. Sendo assim o cuidado as necessidades sociais, psicológicas e espirituais são tão importantes quanto o próprio tratamento, para que o paciente tenha qualidade de vida. A escala ECOG torna-se um importante instrumento para que a equipe Multiprofissional possa ter uma melhor visualização da situação do paciente afim de dar a assistência necessária para suas necessidades (POLO; MORAES, 2009). Desta forma, o objetivo do presente estudo foi avaliar a qualidade de vida dos pacientes oncológicos em tratamento através da escala ECOG. O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário da Serra Gaúcha e do Hospital Pompéia, de acordo com os pareceres de aprovação número 2.571.056 e 2.726.138. MATERIAL E MÉTODOS: Os dados foram coletados durante os meses de julho e agosto de 2017. O tipo de câncer e a escala de qualidade de vida foram analisados dos prontuários de pacientes em tratamento quimioterápico ambulatorial. A classificação do ECOG sendo 0 (zero) é definida como uma melhor qualidade de vida, sendo um paciente assintomático; 1 (um) é considerado uma diminuição de qualidade de vida em comparação com a 0, o paciente apresenta sintomas da doença, mas continua ativo; 2 (dois) define-se como uma qualidade de vida média, onde é capaz de realizar os auto cuidados, mas consegue ficar em pé 50% das horas em que está acordado, necessitando de atendimento ambulatorial mais frequente; 3 (três) indica uma qualidade de vida mais baixa, onde fica mais delimitado ao leito e cadeira; 4 (quatro) representa uma qualidade de vida muito baixa, quando o indivíduo fica totalmente acamado. (MACHADO et al., 2010). RESULTADOS E DISCUSSÕES: Durante o período de avaliação do presente estudo foram analisados 215 prontuários, sendo 113 (52,5%) de mulheres e 102 (47,5%) de homens. Dentre as mulheres, 77 (68,1%) classificavam-se ECOG 1, 26 (23%) como ECOG 2, 7 (6,2%) com ECOG 3 e 3 (2,7%) com ECOG 4. Já os homens, 74 (72,6%) com ECOG 1, 16 (15,7%) com ECOG 2, 9 (8,8%) com ECOG 3 e 3 (2,9%) com ECOG 4. Entre as mulheres com ECOG 1, os diagnósticos que tiveram maior prevalência foram: 28,5% com câncer de mama, 18% com Linfoma, 9% com câncer no intestino e 7,8% com neoplasia em ovário/útero. Com ECOG 2 foram: 23% com câncer da mama, 15,3% com Mieloma, 15,3% com neoplasia em ovário/útero e 11% com câncer de pulmão. Com ECOG 3 foram: 28,5% com câncer de mama. Com ECOG 4 foram: 33% com Mieloma, 33% com câncer de bexiga e 33% com neoplasia de esôfago. Entre os homens com ECOG 1, os diagnósticos que tiveram maior prevalência foram: 17,5% com neoplasia no intestino, 10,8% com câncer de próstata, 10,8% com câncer de cabeça e pescoço, 9,4% com neoplasia de pulmão e 9,4% com Linfoma. Com ECOG 2 foram: 31% com câncer de próstata, 18,7% com Linfoma e 12,5 % com câncer de bexiga. Com ECOG 3 foram: 33% com Linfoma, 22 % com Mieloma e 22% com câncer de próstata. Com ECOG 4 foram: 66% com câncer de próstata. Os estudos ambulatoriais realizados com a escala ECOG divergiram do grau 1 ao 4, sendo que 70,2% das análises foram compostas por indivíduos com ECOG 1. CONCLUSÃO: Pela presente pesquisa pode-se concluir que os pacientes atendidos no setor ambulatorial possuem uma melhor qualidade de vida, pois sua maioria foi composta por indivíduos com ECOG 1. Sendo assim, é de imprescindível importância que sejam realizados estudos que avaliem o bem-estar dos pacientes que realizam quimioterapia, para que possam ocorrer ações que resultem numa melhor qualidade de vida. 

Biografia do Autor

Joana Zanotti, FSG
Nutricionista. Especialista em Clínica e Terapêutica Nutricional. Mestra em Ciências Médicas
Publicado
2019-06-14
Seção
Saúde Pública: estratégias de saúde familiar, promoção de saúde pública, epidemiologia, vigilância sanitária e ambiental