PERFIL DE PACIENTES COM LINFOMA E RELAÇÃO COM FATORES DE RISCO EM HOSPITAL DO SUL DO BRASIL

  • Caroline Marsilio FSG
  • Patrícia Kelly Wilmsen Dalla Santa Spada FSG
  • Fernanda Formolo FSG

Resumo

INTRODUÇÃO: os linfomas são um tipo de câncer que se originam nos linfonodos (gânglios) do sistema linfático, sem causas completamente elucidadas e com incidência crescente ao longo dos últimos anos (BRASIL, 2017). A Organização Mundial de Saúde (OMS) os classifica em dois grandes grupos: os linfomas de Hodgkin (LH) e os linfomas não Hodgkin (LNH) (MARTINS et. al., 2016; CANDELARIA, 2016). Neste contexto, o objetivo do presente trabalho foi identificar o perfil epidemiológico dos pacientes diagnosticados com linfoma assistidos entre os anos de 2015 e 2017 no Hospital Pompéia de Caxias do Sul/RS. A análise do perfil dos pacientes acometidos por esta patologia fornece informações que contribuem para o entendimento de suas origens, tornando possível um planejamento e gestão da saúde para prevenção de fatores de risco controláveis, justificando a realização do estudo (DUGNO et. al., 2014). MATERIAIS E MÉTODOS: estudo retrospectivo de corte transversal, por meio de busca ativa em prontuários médicos físicos e eletrônicos para a coleta de dados sociodemográficos dos pacientes, os quais foram submetidos à

análise qualitativa e quantitativa na plataforma Microsoft Excel (ESTRELA, 2018). O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Hospital Pompéia (parecer nº 311.052). RESULTADOS E DISCUSSÕES: foram identificados um total de 61 pacientes com diagnóstico de linfoma. Destes, 11 em 2015, 16 em 2016 e 34 em 2017, com valores percentuais de 18,1%, 26,2%, e 55,7% respectivamente. Neste sentido, é notável o aumento do número de casos nos últimos anos, não obstante, deve-se considerar que alterações na equipe médica da Instituição tenham efeito significante sobre os valores obtidos (MARTINS et. al., 2016). Na população do estudo, os Linfomas não-Hodgkin são os que mais acometem os indivíduos e ao que se trata do estadiamento clínico, prevalecem os graus III e IV (11,5% e 44,3% respectivamente). Ainda, pôde-se notar uma prevalência numérica de indivíduos brancos (90,2%), do sexo masculino (59%), com escolaridade baixa e média de idade de 53 anos, sendo 65,3% dos indivíduos com idade inferior a 60 anos. Prevalecem também indivíduos não tabagistas e não etilistas (57,4% e 62,3%). Quanto à mortalidade, identificou-se um valor de 13,1%. Ao longo da segunda metade do século XX, um aumento na incidência dos linfomas foi observado internacionalmente (BRASIL, 2017). Tal crescimento pode ser explicado, pelo menos parcialmente, por melhorias nas técnicas de diagnóstico, na classificação histopatológica e na captação dos casos pelos registros de câncer de base populacional (MARTINS et. al., 2016; CANDELARIA, 2016; COSTA, MELO, FRIEDRICH, 2017). De forma geral, se faz possível relacionar o desenvolvimento de linfomas com o uso de agrotóxicos, infecção pelo vírus HIV e outros agentes infecciosos, doenças autoimunes, imunossupressão, exposição a agentes químicos e algumas ocupações (BRASIL, 2017; COSTA, MELO, FRIEDRICH, 2017). Porém, embora alguns estudos tenham identificado estes fatores etiológicos, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) ainda considera o fenômeno como inexplicável (BRASIL, 2017). CONCLUSÃO: o método utilizado possibilitou alcance do objetivo proposto. Trabalhos como o presente estudo se mostram benéficos por identificar o perfil dos pacientes e relacioná-los com fatores de risco controláveis, como o uso de agrotóxicos classificados pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (International Agency for Research on Cancer – IARC) como cancerígenos. O aumento do número de casos de linfoma é preocupante e esse crescimento exige adaptação dos profissionais da área da saúde de forma generalizada.

Publicado
2019-06-14
Seção
Saúde Pública: estratégias de saúde familiar, promoção de saúde pública, epidemiologia, vigilância sanitária e ambiental